Presidenciáveis participam de série de entrevistas da TV Brasil
Os presidenciáveis que ocupam as primeiras posições nas pesquisas de opinião participaram da série de entrevistas que a TV Brasil, emissora do governo federal, promoveu na semana passada. Em ordem definida por sorteio, Dilma foi a primeira a participar do Programa 3 a 1, comandado pelo jornalista Luiz Carlos Azedo. A entrevista com a candidata do PT foi ao ar na quarta-feira (21). No dia seguinte, foi a vez do candidato do PSDB, José Serra. Marina Silva (PV), a única que aceitou fazer o programa ao Vivo, falou à emissora na sexta-feira (23). O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou pedido feito pelo PSOL para participar do programa na TV Brasil. Na representação, o candidato do Plínio de Arruda Sampaio alegava que a decisão da emissora de entrevistar apenas os três principais candidatos fere a Lei das Eleições (9504/97), que determina que os candidatos de partidos com representação na Câmara dos Deputados devem ser convidados para participar de debates eleitorais. JOSÉ SERRA Telhado de vidro/Oposição Mudanças tributárias Drogas/aborto Reforma tributária Aborto/drogas Telhado de vidro MARINA Reforma tributária Desenvolvimento Sustentável Visão estratégica
A seguir trechos das entrevistas:
“Todo mundo que vem comigo sabe como eu me comporto. Estou dizendo o que penso. É um pouco difícil ficar comparando quem tem quem. Num torneio, a candidata do governo perde (sic) disparada em matéria de más companhias”.
Serra rejeitou o rótulo de “candidato da oposição”. Ele afirmou que vai melhorar o que estiver funcionando e mudar só o que estiver ruim. “Eu sou o candidato não da oposição, mas do pode mais e do dá pra fazer”.
O tucano defendeu que a reforma tributária seja feita em partes, tratando de temas específicos. Serra classificou a carga tributária brasileira como “altíssima” e afirmou que o gasto público tem de crescer em ritmo menor do que a economia. O tucano falou ainda em desoneração de produtos alimentícios e de investimentos.
O candidato criticou o relacionamento do governo Lula com a administração Evo Morales na Bolívia, defendeu uma força nacional de segurança permanente nas fronteiras, uma política de educação no ensino fundamental contra as drogas e o tratamento de dependentes. Em relação ao tratamento, Serra defendeu que sejam montadas clínicas em parceria do Sistema Único de Saúde (SUS) com entidades religiosas.
O tucano afirmou que não vê necessidade em se mudar a legislação sobre o aborto. “No que depender de iniciativa do Executivo, não proporei mudanças na Lei atual. Ficará como está. O SUS dará assistência àquela que praticou o aborto”.
DILMA
A ampla reforma tributária foi defendida por Dilma Rousseff. A proposta da candidata é alargar a base de arrecadação e desonerar os impostos da micro e pequenas empresas. “É preciso fazer duas coisas: atender às necessidades de uma população que foi condenada a uma exclusão e saiu desta condição recentemente; e garantir um aumento de produtividade sistêmica em relação ao setor privado. Reduzir os impostos sobre investimentos é uma questão de melhoria de competitividade. Temos que combinar as duas coisas”.
A candidata do governo não acredita que tal mudança possa ser feita como em um “passe de mágica”. “Temos que construir as transições. Se fizermos de um dia para a noite, quebram os estados, quebram os municípios. É preciso fazer uma reforma na qual os estados e os municípios não percam sua capacidade de prestar serviços”.
A Candidata afirmou que o aborto é uma questão de saúde pública. “Acredito com muita convicção que nenhuma mulher quer fazer aborto. Elas estão fazendo por uma medida que as pessoas não gostariam, porque é uma violência ao corpo da mulher”.
Em seguida, Dilma defendeu que o Brasil “não tem condições” para descriminalizar as drogas. “O crack é uma praga moderna. Acho que não podemos falar em processo de descriminalização de droga nenhuma enquanto tivermos o seguinte quadro no Brasil: o consumo de crack se associa ao de outras drogas”.
A candidata falou da polêmica relação com ex-presidente Collor de Mello, a quem o PT, no passado, fez duras críticas. “Isso não é fundamental (Parceria com Collor). Fundamental foi o que fizemos no governo. Não vamos falar: você está proibido de me apoiar. Agora, nos nossos termos. Inimigo não foi, foi adversário. Se mudou de posição, é bem-vindo”.
Assim como a candidata Dilma, Marina disse que a reforma tributária é uma questão de difícil solução e que só será aprovada mediante um esforço conjunto de políticos e da sociedade. Ela não prometeu a aprovação do projeto, caso eleita, mas afirmou que não aumentará o custo de impostos no país e simplificará a cobrança deles.
“Vamos fazer um esforço muito grande para dar conta das reformas, mas talvez não seja possível”, disse a candidata. “Diminuir os impostos é uma tarefa, já simplificar é uma obrigação. Com isso, já estamos comprometidos.” (...) “Os [partidos] grandes não conseguiram nem eu conseguiria”, disse ela. “As reformas só aconteceram com uma vontade da sociedade em promovê-la.”
A valorização da sustentabilidade é um ponto que Marina afirmou ter mais presente do que os outros canditatos. De acordo com ela, uma parte da sociedade e pesquisadores já percebeu a importância do meio ambiente para o desenvolvimento, enquanto uma parte da classe política ainda não incorporou essa temática aos seus programas. “Falta a visão [dos outros candidatos], um pouco de ter compreendido essa questão e ter atualizado o discurso”.
A visão estratégica também foi destacada por Marina como outra característica que a diferencia dos seus adversários. Segundo ela, os dois concorrentes que lideram as pesquisas de opinião possuem perfil gerencial, enquanto a candidata se define como uma estrategista. “Nesse particular, a ministra Dilma Rousseff e o governador José Serra, ambos são muitos parecidos, são desenvolvimentistas e gerenciais”.
Da Redação/Agência Brasil
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